Nas esquinas da vida...

"Se o tivesse escrito para procurar o favor do mundo eu teria me ornado de belezas emprestadas ou teria me apresentado com minha melhor pose. Quero que me vejam aqui no meu modo de ser simples, natural e ordinário, sem afetação nem artifício: é a mim mesmo que pinto". (M. de M.)

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

10 anos depois

Olhei no espelho e vi um rosto cansado, envelhecido e com marcas de sol. O tempo passou rápido, dez anos se foram desde a última vez que sonhei e ousei escrever. Queria voltar àquele tempo que conseguia me expressar através de palavras bem escolhidas, mesmo que os sentimentos fossem confusos. Ainda que não entendesse bem o que vivia, lá eu sentia que era eu mesma, com um pseudônimo que escondia um eu lírico safado e sujo, que me completava profundamente.


Me senti revirando o relicário de Adelaide, outro pseudônimo que construí no passado, revirando diários, buscando por respostas que nem em dez anos consegui alcançar. As respostas eu não obtive, mas encontrei meu alter ego sozinho, confuso e magoado. Não conseguia perceber a passagem do tempo, ou seja, não sabia quanto tempo estava trancado ali, contudo sabia que eu havia partido, sem dizer adeus, sem explicações.


De lá do relicário eu o libertei, ele rodopiou pelo meu inconsciente e não me permitiu dormir. Passei horas sem sono, me debatendo na rede, buscando entender o que acontecia, qual era a razão de tanto alvoroço, sentia como se borboletas estivesse no estomago. 


Meu alter ego me culpou e me confrontou pela solidão que viveu, me apontou o dedo e disse que não me perdoava por não tê-lo levado comigo para o futuro. Em minha defesa respondi que tinha medo desse lugar, do futuro, medo de onde o alter ego poderia me levar. Com intenção, o aprisionei para sempre no relicário de emoções, dores e amores de Adelaide. Bom, eu acreditava ser para sempre. No fundo, eu sonhava com tais palavras sórdidas que eu ousava escrever naquele tempo e que ganhavam vida na boca do alter ego fantasiado de Barão da Ralé. 


Dez anos, nem uma década foi capaz de me fazer esquecer e amenizar a culpa que sentia quando parei de escrever. Dez anos se passaram e hoje estou aqui, retornando ao meu submundo particular, para saborear da saudade registrada e refrescar as ideias.


Dez anos......

Barão da Ralé