Te encontrei na chuva, a cidade estava alagada nesse dia. Ficamos juntos numa parada de ônibus, olhavas com pressa no relógio, a chuva tinha vindo em hora ruim. Parecia que ias fazer algo de importante, bem trajado e com sapato social preto. Para que aquilo? Pensei. Por mim a chuva poderia cair o quanto quisesse, ia passar na casa de Gilson mesmo.
Entretanto, me incomodava por ti, estavas agoniado, molhado, não conseguias perceber a beleza que a chuva nos proporcionava. Verdadeira amostra dos deuses.
Moças bonitas com seios bicudos de frio, vestidos transparentes pela água que insistia em molhar, peles rijas e arrepiadas, longos cabelos molhados. Gotículas de águas que insistiam correr pela tez e nariz e despejar-se em seios fartos. Boquinhas tremidas de frio. Lábios carnudos mordidos.
Meu desejo era ser a própria chuva naqueles campos Elísios.
Como o tempo poderia ser mais interessante?

Um comentário:
Realmente: como o tempo poderia ser mais interessante?
Chuvas sempre nos dão histórias e olhares sobre o outro interessantes.
(:
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